quinta-feira, 7 de novembro de 2019

1995-2018

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Smartphones

Referir os smartphones como “telemóveis” parece-me limitativo da análise porque a função de telefone móvel até é das menos importantes, quando comparada com o acesso à Internet, a captura de sons e imagens, a informação pessoal em forma de agenda, email/redes sociais, carteira de documentos, e até carteira de trocos! Revolut!

Considerando o conjunto de funcionalidades deste canivete suíço, eu, nomofóbico me confesso. Exceptuando os colegas que ainda utilizam telemóveis pré-históricos, daqueles de teclas, que apenas servem para ligar/atender chamadas e enviar/receber SMS, creio que todos me compreenderão. Portanto, todos percebem que será stressante e contraproducente mandar os alunos desligar os smartphones.

Desligar o telemóvel no cinema, às refeições, etc. também me soa estranho, pois há inúmeras possibilidades de um smartphone não nos incomodar, continuando ligado! Nem enquanto durmo, o desligo! Senão como poderia despertar com a música favorita no Spotify!

Nas aulas, o smartphone não será factor de indisciplina se estas forem conduzidas de modo a que os alunos sintam que lhes proporcionam algo com utilidade. Agora, no caso se sentirem forçados a aguentar palestras sem sentido, o smartphone também é a primeira consola de jogos que têm à mão. Neste aspecto, a sua indisciplina não será muito diferente da nossa, quando perante algumas “secas” fazíamos desenhos.

Pedro Ferreira escreveu que “a proibição dos smartphones na sala de aula melhora ligeiramente as notas, mas usá-los como parte do processo de aprendizagem melhora ainda mais”. Talvez fosse interessante investigar quão ligeira e temporária teria sido a subida das classificações atribuída à proibição. E quão vantajosa foi a integração dos smartphones no processo de aprendizagem, em termos da melhoria continuada das classificações e do ambiente de trabalho na sala. Evidentemente que os estudos estão por fazer, e o desenvolvimento tecnológico tem sido tão rápido, que é muito difícil irmos além das nossas representações.

Nos anos 90, acreditava que Portugal poderia aproveitar o rápido desenvolvimento tecnológico para ganhar o tempo perdido por não se ter industrializado, melhorando a produtividade, adquirindo competitividade. E ficava entusiasmado quando observava o nosso país a ultrapassar a Grécia! Hoje, quando Portugal é ultrapassado pela República Checa, Letónia, Lituânia, Estónia, Eslovénia, Eslováquia.... já perdi a vontade de sonhar com o salto tecnológico, mas continuo tão interessado no desenvolvimento das tecnologias móveis quanto estava na Internet quando fui parar ao soc.culture.portuguese. Como professor sou um sonhador, e aulas correm melhor se levar os alunos a acreditarem que podem voar. Estou aqui para sonhar melhor.